As RP são uma forma de interpretar o mundo (e a política): 2.0

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O primeiro post que coloquei neste blog trata este tema: “As Relações Públicas são uma forma de interpretar o mundo”.

E agora volto a abordá-lo, também na perspectiva da política, mas de um modo um pouco diferente.

São vários os eventos ou acontecimentos que têm lugar na vida política, e cada um deles tem uma componente das RP, seja ela maior ou menor.

Isto porque as Relações Públicas gerem toda a comunicação das organizações, e assim no sector político, grande parte desta comunicação é também gerida por gabinetes de comunicação ou empresas de comunicação (muitas vezes chamadas de “empresas de marketing político – como foi mencionado no primeiro post sobre este tema).

Ou seja, quando olhamos para todos os acontecimentos do sector político, muitas vezes nos escapa esta perspectiva, a perspectiva da comunicação: o que é que o evento procura comunicar, e como procura comunicá-lo?

Se olharmos para o acontecimento pela perspectiva das RP conseguimos entender outra importância que este tem: A Comunicação

Alguns exemplos disso são os debates, comícios, campanhas eleitorais ou congressos.

Pegando neste último exemplo podemos analisar o congresso do PS que terá lugar nos próximos dias 3-5 de Junho em Lisboa.
Enquanto normalmente poderíamos olhar para um congresso como um evento partidário onde são apresentadas moções e feitos discursos por parte de alguns militantes, se olharmos para o acontecimento pela perspectiva das RP conseguimos entender outra importância que este tem: A Comunicação.

Através de um evento partidário normal esse partido, neste caso o PS, consegue aproveitá-lo para comunicar a sua ideologia e as suas mensagens-chave aos seus públicos (militantes, simpatizantes ou eleitores em geral).
Esta oportunidade de comunicação de mensagens será provavelmente aproveitada através dos discursos dos militantes mais conhecidos do partido (cujos discursos serão transmitidos n13087913_1195800127098976_414644237392065079_nos meios de comunicação social), nomeadamente o Secretário Geral e Primeiro Ministro, que irá certamente falar do processo de reversão da austeridade e das várias reformas e medidas propostas pelo seu governo.

E os outros eventos mencionados também são exemplo desta oportunidade de comunicação, os comícios servem também de oportunidade comunicar “para as câmaras”, visto que os discursos dos principais oradores são também frequentemente transmitidos nos meios de comunicação social.

Otransferir.jpgs debates, por exemplo, que num primeiro plano servem para o confronto entre dois líderes partidários (ou dois candidatos) acabam por servir essencialmente de tempos de antena para cada um deles, sendo que em cada pergunta do entrevistador, estes procuram “puxar” o tema para algo mais planeado de acordo com aquilo que querem comunicar (existindo no entanto, obviamente, situações de “combate” político entre os dois candidatos).

 

E por fim as campanhas eleitorais são o exemplo máximo desta perspectiva, visto que é através desta que os partidos têm maior oportunidade de comunicar a sua mensagem.

Sendo que é neste exemplo (ainda que também nos anteriores), que entram as tais agências de comunicação, ou marketing político (mencionadas no primeiro post).
Cujo objectivo é precisamente aproveitar toda e qualquer oportunidade que possa surgir para comunicar e para transmitir a mensagem do partido.

A grande questão está no entanto nesta confusão entre empresas de comunicação política e de marketing político, porque apesar de tratarem a comunicação, estas empresas são realmente de marketing, porque não procuram se preocupam com uma comunicação bilateral entre o partido e os seus públicos, mas sim com uma comunicação unilateral do partido ou organização política, tentando “vender” a sua mensagem. Dando origem ao conceito de spin doctor muitas vezes erradamente associado à profissão de RP em política.

No entanto podemos encontrar alguns exemplos mais positivos em que, através de uma perspectiva de RP podemos identificar oportunidades de comunicação que foram aproveitadas em eventos políticos, como por exemplo a abertura do palácio de São Bento, ou do palácio de Belém (residências oficiais do Primeiro Ministro e Presidente da República) ao público (tratadas também num post anterior).IMG_1712

Estes são exemplos bons, em que as oportunidades de comunicação não foram só aproveitadas para comunicar unilateralmente, mas em que os públicos foram convidados a “interagir” com as instituições governamentais, contribuindo para a relação entre ambos.

 

E ainda outros acontecimentos, neste caso mais negativos, que neste caso não estão directamente associados a partidos políticos, mas que se relacionam com a política através do seu tema.

Um exemplo disto é a recente manifestação em defesa dos contratos de associação com alguns colégios privados. Sendo que este é o suposto tema dos protestos, a sua dimensão e a sua cobertura mediática leva a crer que têm associados a si uma empresa de comunicação, que viu este acontecimento como uma oportunidade de defender interesses que nada têm a haver com a “liberdade de escolha” da educação, mas sim com interesses terceiros, sejam eles ideológicos ou financeiros.

Ou seja, ao vermos o mundo (e a política) através da perspectiva das RP, percebemos que por vezes as oportunidades de comunicação são aproveitadas, não para criar ou manter uma relação entre a organização e os seus públicos (neste caso partidos e eleitores) mas sim para transmitir “cegamente” a mensagem de um partido ou interesse financeiro. Apesar de, como mencionado, existirem também exemplos positivos.

Em coperspective-hacksnclusão, ao ver o mundo pela perspectiva das Relações Públicas conseguimos percepcionar certas coisas que não são evidentes à primeira vista.
Tais como as mencionadas oportunidades de comunicação que surgem associadas a todo o tipo de acontecimentos ou eventos, como estas são aproveitadas, e o que motiva esse aproveitamento.

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