O pai natal existe?

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Quando fomos pequenos, quase todos acreditávamos no pai natal, todos éramos um pouco ingénuos e iludidos, acreditando em algo que logicamente é impossível, mas no qual é agradável de acreditar.

À medida que crescemos deixamos de acreditar no pai natal, porque começamos a pensar e a entender que a sua existência seria impossível, deixamos de ser ingénuos quanto a esse assunto. No entanto há vários assuntos em relação aos quais continuamos a ser ingénuos, acreditando numa realidade que não existe e prejudicando-nos a nós mesmos.

Um exemplo disso é a crença da maioria das pessoas na independência ou imparcialidade da imprensa, não num sentido de “teoria da conspiração” em que toda a informação é manipulada, porque não é, mas pela forma como esta nos é apresentada.

Em Portugal existem vários meios de comunicação social, neste post vou falar principalmente de dois grupos (mencionando no entanto outros exemplos):

O primeiro é o grupo Impresa, proprietário da SIC (e todos os canais da estação), e de publicações como o jornal Expresso, Courrier Internacional, Revista Visão, Caras, entre outras.

O segundo é a Mediacapital, proprietária da TVI (e TVI 24), da Rádio Comercial, M80 e Cidade.

Os Proprietários

Agora para entendermos o que leva à falta de imparcialidade por parte destes grupos de informação, temos de entender quem os “controla”:

  • O grupo Impresa foi fundado por Francisco Pinto Balsemão, que fundou e é membro actual do Partido Social Democrata.
  • Mediacapital é propriedade do Grupo Prisa, com sede em Espanha.

E estas associações acabam por ser evidentes na maneira como os diferentes canais apresentam as notícias.

Os Exemplos

Na SIC

Existe uma enorme tendência de direita, não só na maneira como as notícias são apresentadas mas na própria actuação dos jornalistas.

Por exemplo, num recente programa Opinião Pública sobre as obras de requalificação urbana em Lisboa, o jornalista teve a seguinte atitude com um espectador que se atreveu a defendê-las, dando a sua opinião: (é de notar que a CM de Lisboa pertence ao Partido Socialista)
https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fostruques%2Fvideos%2Fvb.410931902437437%2F475224162674877%2F%3Ftype%3D2%26theater&width=500&show_text=false&height=281&appId
Fonte: Página Facebook: “Os Truques da Imprensa Portuguesa“.

E esta tendência é também evidente em vários outros aspectos do serviço de informação que a SIC presta, quer na escolha de comentadores, de temas, ou da maneira como certos temas são tratados.

Por exemplo, recentemente tem-se falado do tema dos contratos de associação entre o Governo e alguns colégios privados, a SIC, no dia 6 de Maio abre o telejornal com este tema, gastando 16 minutos a retratar quase exclusivamente a perspectiva dos colégios

exemplo sic.jpgNota: É importante reparar que as letras no chão viradas para o ar possibilitam a filmagem através de um drone, feita pela SIC, o que leva a pensar se tal não terá sido combinado.

Outros exemplos, como os que se seguem demonstram também esta parcialidade pela maneira como as notícias são apresentadas, como por exemplo apontando a reposição dos feriados como sendo da autoria do Presidente da República, quando na verdade é uma iniciativa do Governo e que Marcelo Rebelo de Sousa apenas promulgou. Ou as duas notícias sobre um debate na Assembleia da República que critica abertamente o Ministro das Finanças num artigo que não é de opinião mas apenas “informativo”.

E mesmo quando se trata de artigos de opinião, ou comentadores convidados na televisão, a escolha dos mesmos é muitas vezes tendenciosa.

Um exemplo final para demonstrar esta enorme falta de imparcialidade jornalística por parte da SIC é a comparação entre as entrevistas realizadas por José Gomes Ferreira ao Ex-Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho em 2013, e ao actual Primeiro Ministro António Costa na semana passada:

>

 

Na TVI

Um exemplo recente de uma suspeita de falta de isenção, foi a notícia relativa à resolução do BANIF, que levou vários clientes a levantarem o seu dinheiro, o que segundo o antigo administrador custou ao mesmo cerca de 500 milhões de euros no seu preço de venda.
A “coincidência” é que o grupo proprietário da TVI, o Grupo Prisa, tem como accionistas o CaixaBank e o Santander, dois bancos que poderiam estar interessados na compra do BANIF, sendo que o segundo acabou mesmo por ser o escolhido para a venda.

No entanto, no dia-a-dia da informação, a TVI tem-se demonstrado mas isenta, talvez por não estar directamente associada a um partido político.

 

Em Conclusão

Tal como eventualmente percebemos que o pai natal não existe, e que não podemos ser ingénuos, é importante que percebamos que existem outros assuntos que também não são verdade, podem não ser tão evidentes, ou tão logicamente impossíveis, mas por isso mesmo devem captar a nossa atenção.

 

NOTA: Todo o conteúdo (imagens e vídeos) deste post provém da página de facebookOs truques da imprensa portuguesa“, a qual contactei para colocar algumas perguntas sobre a sua opinião da imprensa nacional.

Esta entrevista estará disponível BREVEMENTE neste link.

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