Know your enemy

Cada vez mais a política é associada com desinteresse por parte das pessoas, a maior prova disso é a percentagem de abstenção que existe cada vez que há eleições.

É assim essencial entender o que faz com que as pessoas tenham uma opinião tão negativa da política e dos políticos, a atitude dos que dizem “são todos corruptos” ou “são todos iguais”.

-É preciso identificar o inimigo da política-

 

A verdade é que não são todos iguais, basta conhecer minimamente cada um dos partidos para se entender imediatamente que existem diferenças enormes entre as ideologias de cada um. Mesmo entre os dois partidos que normalmente se alternam pelo poder em Portugal (PS e PSD) existem diferenças, cada vez mais notáveis.

E a verdade é que a grande maioria dos políticos também não são corruptos.
A maior parte da corrupção ocorre, quer na política como em qualquer outro sector, nas posições baixas ou intermédias, e neste caso por corrupção entende-se na maioria das vezes, apenas “troca de favores” ou “cunhas”.

Mas o importante é entender de onde vem esta percepção de que a política é tão má e que os políticos são tão horríveis, é preciso identificar o inimigo da política.

Na minha opinião a resposta é simples: dos Jornalistas (e chamar a alguns jornalistas quase que é ofensivo para a profissão, por isso podemos dizer “os funcionários dos meios de comunicação social”).

São os jornalistas que constantemente criam uma imagem negativa dos políticos, e é preciso entender porquê, para mim são duas as razões:

  1. (Esta ideia fui buscar ao ex-apresentador do Daily Show, Jon Stewart): Os jornais e televisões desenvolveram-se de uma maneira em que estão sempre em formato “11 de Setembro”, com isto quer-se dizer que o seu formato pressupõe que está sempre a acontecer algo extremamente urgente, grave, ou de última hora, o que requer constante cobertura da sua parte e a participação de vários comentadores que falam sobre o assunto.
    Ora para este formato funcionar, as notícias têm que parecer, mesmo que não o sejam, graves. É por isso que se dá destaque a notícias que não têm qualquer interesse, como por exemplo o facto de alguns grupos terem criticado o Presidente da República pelo cão que lhe foi oferecido pela GNR ser um pastor alemão e não uma raça portuguesa.
    É também por isso que os jornalistas chegam a um nível tão baixo como o de noticiar a falência de um banco, quando tal ainda não aconteceu, ou como o de colocar nos noticiários ou jornais impressos escutas de processos judiciais que estão sob segredo de justiça.
    Esta necessidade constante de notícias “escandalosas”, faz com que tudo pareça sempre negativo, incluindo a política.
    Outro exemplo desta realidade é a notícia recente dos chamados “Panama Papers” em que se revelam as identidades de várias pessoas com dinheiro em contas offshore, e uma notícia onde os jornalistas apresentam todas estas pessoas como corruptas e criminosas, sendo apenas mencionado muito raramente que grande parte delas obteve o seu dinheiro de maneira legítima e completamente legal, sendo a única possível ilegalidade a fuga aos impostos.
  2. Outra razão, e esta é apenas da minha opinião, é a orientação ideológica dos meios de comunicação social (MCS). A enorme maioria dos MCS têm uma orientação ideológica de direita. (Por exemplo: Expresso e SIC: Ambas membros da Impresa (grupo de comunicação social ao qual preside Francisco Pinto Balsemão, militante nº1 do PSD)
    O que faz com que critiquem constantemente a esquerda, ora o que resulta é que as pessoas ficam descontentes com a direita pelas suas políticas, e pela esquerda porque acreditam em tudo o que é dito pelos jornalistas, levando a uma ideia de que os políticos “são todos iguais” e por isso nem vale a pena votar.

Um exemplo da influência da influência dos grupos empresariais ao quais pertencem os MCS (ainda que não em relação aos Partidos Políticos) é este:

jornaisang.png

Agora é preciso dizer, não há qualquer problema que uma televisão ou jornal tenha ideologia de direita ou de esquerda, mas essa orientação tem de ser assumida, como acontece no Reino Unido ou nos EUA. Porque se as audiências entendessem que a informação nunca é imparcial, teriam um melhor julgamento sobre a mesma.

É verdade, no entanto, que os partidos não são isentos de culpa nesta situação. Já várias vezes os partidos que foram eleitos por fazerem inúmeras promessas eleitorais chegaram ao Governo e não as cumpriram.

Por exemplo:

Mas o que se deve entender é que, mesmo que os políticos quebrem todas as suas promessas, mesmo que por alguma vez até sejam corruptos, a solução não é deixar de votar, a solução é fazer a sua voz ser ouvida, participar no processo político, registar-se como membro de um partido para eleger o seu líder, ou se não se identificar com nenhum, começar o seu próprio movimento e partido e candidatar-se às eleições.

Mas é o dever da política e dos políticos evitar que esta situação seja necessária, é o seu dever entender a situação que está a acontecer e saber resolvê-la, têm por isso de conhecer os seus inimigos e saber como enfrentá-los.

Pois, na política, como em qualquer outra actividade, conhecer os nossos inimigos é meio caminho andado para os derrotar.

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(IMAGEM: cartaz britânico durante a 2ª Guerra Mundial, com o objectivo de ensinar a sua população a reconhecer os soldados inimigos)

 

E para conhecermos os nossos inimigos é preciso investigar, pesquisar, entender a envolvente da nossa organização (neste caso partido), e quais os stakeholders que têm influência na maneira como esta funciona (neste caso, por exemplo, os meios de comunicação social).

Os partidos devem assim entender quais são os seus inimigos, o que é que estes usam como “armas” para danificar a opinião das pessoas sobre eles, e sobre  a política, como o fazem, porque o fazem, e que efeito tem.
Deste modo, analisando cada um destes aspectos, será possível encontrar soluções para cada um. Conhecendo o inimigo, e conseguindo assim derrotá-lo.

 

Sun Tzu, General e Filósofo chinês, escrevia, no seu livro “Arte da Guerra” (em cerca de 500 A.C.):

Se te conheceres a ti próprio e ao teu inimigo, não deves temer o resultado de cem batalhas.

Se te conheceres a ti próprio, mas não ao teu inimigo, por cada vitória sofrerás também uma derrota.

Se não te conheceres nem a ti próprio, nem ao teu inimigo, nunca vencerás uma batalha“.

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