As RP são uma forma de interpretar o mundo (e a política)

Quando estudamos a disciplina das Relações Públicas (RP), entendemos que esta é, essencialmente, uma área que procura ligar os vários pontos de uma situação relativa a uma organização, interpretando assim a realidade em que esta se insere e inventando soluções que possam aproveitar oportunidades ou resolver problemas.

Assim, podemos afirmar que as RP são uma forma de interpretar o mundo, pois se virmos o mundo através da perspectiva desta disciplina, podemos interpretá-lo de uma maneira diferente, estando mais atento aos detalhes, e procurando ter toda a informação sobre uma certa situação, tentando entender toda a sua envolvente para conseguir elaborar as melhores soluções.

Quando olhamos para o mundo da política, podemos também utilizar a perspectiva das RP para o interpretar, sendo que nesse caso, os públicos das organizações (partidos) são os eleitores.

Cada vez mais a política depende da opinião pública, vemos isso com o peso que os meios de comunicação social têm junto dos eleitores, por isso é essencial que os partidos políticos tenham uma boa gestão da sua comunicação, para que tal se vá reflectir no seu resultado eleitoral.

Sendo que os partidos podem realizar a tarefa das RP pessoalmente, existem também várias empresas que prestam este serviço aos partidos políticos, quer na época eleitoral, quer permanentemente, de modo a assegurar que a sua mensagem é correctamente transmitida aos seus possíveis eleitores, e para que qualquer acontecimento negativo tenha apenas o menor impacto possível.
Estas empresas procuram assim elaborar estratégias de comunicação, sendo que nalguns casos optam por vias moralmente condenáveis (que procuram mais a manipulação da opinião pública e não o seu esclarecimento) o que na maioria dos casos acontece.

-Cada vez mais a política depende da opinião pública-

 

Spin

Enquanto estas empresas são muitas vezes referidas como “Empresas de Marketing eleitoral” as suas funções deveriam incluir também as Relações Públicas, sendo que na teoria a sua função é esclarecer os eleitores (preocupando-se com as suas necessidades) e não vender-lhes a ideologia do partido como um produto (que se relaciona mais com o marketing).

Alguns exemplos destas empresas são a Arcos Comunicação (de André Gustavo) que foi contratada pelo PSD nas últimas eleições, e a FCB Lisboa (de Edson Athayde) que colaborou com o Partido Socialista também nas últimas legislativas. (Ver mais em: http://observador.pt/2015/05/18/os-magos-brasileiros-querem-levar-costa-passos-vitoria/)

No entanto podemos encontrar também exemplos positivos de acções de RP, como por exemplo o da visita do Primeiro Ministro António Costa ao Festival (de cinema) de Berlim, que representa uma preocupação do actual governo com a cultura, demonstrando a preocupação do mesmo com as necessidades (neste caso culturais) do seu público (ou eleitorado).

(Festival este que premiou ainda uma curta-metragem portuguesa, realizada por Leonor Teles (antiga aluna da Escola Superior de Comunicação Social))

Em conclusão, a política é um perfeito exemplo de como as RP são uma forma de interpretar o mundo, pois qualquer que seja a realidade em causa, a boa comunicação é sempre essencial.

NOTA: É importante apontar que, apesar da dimensão política ser um bom exemplo de como as RP são uma forma de interpretar o mundo, esta é também um excelente exemplo da maneira negativa como as RP podem ser utilizadas, aproximando-se mais do conceito de Spin Doctor, e não de profissional de RP (quando tratadas por parte de uma empresa de Marketing eleitoral / político).

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